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São Paulo, Rio, Rio, São Paulo

Postado por bruna em Jun 26, 2008 em Rio, Sampa, cultura

No fim de julho fará 3 anos que moro no Rio de Janeiro. Vim porque quis e não, não tinha nada que me fizesse vir pra cá. Por exemplo, nunca tinha vindo pra cá, não conhecia ninguém, não tinha emprego e não pensei em faculdade. Maluca mesmo.

Mas há um tempo estava pensando em escrever meus pareceres sobre “eixxxxta” terra =D

O pessoal do Rio é mais comunicativo, e sem muita cerimônia. Uma grande parcela da população já vai falando com você, como se concordasse com ela ou já a conhecesse há um bom tempo. Não me importei com isso, mas em Sampa é mais difícil isso acontecer.

Ponto de partida pra qualquer desempregado: Centro da cidade. Rua do Ouvidor. Não entendia porque sempre pingava quando estava na rua, até olhar pra cima e ver que 90% dos prédios têm muuuiiiiitos aparelhos de ar condicionado. Tipo, em Sum Paulo não tem nem metade do que se vê por aqui, o motivo é óbvio. Faz muito mais calor aqui que ali. Apesar de há uns 2 anos achar que em São Paulo também faz muito calor, também faz muito mais frio, e os tempos de calor são mais intensos, porque não temos o mar tão perto, então costuma fazer aquele calor muito abafado mesmo. Aqui no Rio não, é aquele calor de suar muito, mas se você estiver de short e camisetinha e tomar uma água de côco, passa super de boa, porque em todo lugar tem ar condicionado.

O metrô. Ok, o do Rio é maior e tem ar condicionado, mas pra mim o de São Paulo é mais rápido, mais limpo (apesar do Rio também ser) e mais charmoso. Não concordo com quem diz que em São Paulo a linha do metrô é enorme. Não, não é. O Rio é muito menor, por isso não tem tanta linha nem tanta opção. Em São Paulo, comparando, deve abranger uns 20% a mais que o do Rio, só.

A pizza daqui não chega nem no chulé da de São Paulo. Que saudade eu sinto disso. Pizza de escarola? Ham? O que é escarola? Até hoje não sei como falar isso aqui. Por um tempo achei que escarola era chicória, mas me informaram que não, que são parecidas mas não é a mesma coisa. Como assim? Escarola, tão básico em Sampa… E a pizza de calabresa então? Fique feliz se vier com 10 calabresinhas =/

Motoristas. Ou pilotos, como são chamados por aqui, hehehe. Só para terem idéia, demorei praticamente 1 ano pra me acostumar com o jeito de dirigir carioca. Pegar um ônibus é uma aventura, segure-se bem. Aqui os ônibus são da rede privada, então os “pilotos” têm que cumprir hora e chegar muito rápido de um lugar a outro da cidade. Em compensação, aqui tem muito mais linhas, que passam muito mais freqüentemente. Raramente precisei esperar mais de 10 minutos por um ônibus, sendo que em São Paulo é normal esperar 40 minutos. Melhor ir a pé, hehe!

Trânsito. Claro, São Paulo perde muito fácil. Se me estressei por causa de trânsito umas 3 vezes aqui no Rio em 3 anos, em São Paulo me estresso umas 3 por semana, ou mais.

Violência. Nem entro no mérito, as duas são muito perdedoras. Talvez a polícia de São Paulo seja mais eficiente e um pouquinho menos corrompida, mas também tenho minhas dúvidas. Uma amiga do Rio sempre me disse que caso eu fosse roubada e quisesse ajuda dos policiais, pra eu dizer a eles que foi roubado uma boa quantia em dinheiro, que aí eles vão atrás. Já vi assaltos em São Paulo e no Rio. Talvez a diferença seja que no Rio é muito mais fácil ouvir um tiroteio e estar bem mais exposto a isso do que em São Paulo, que é mais na periferia.

Acho o Rio tão caro quanto São Paulo, acho mito quem diz que São Paulo é bem mais caro. Morei de Copacabana a Tijuca, e vejo que os preços são bem parecidos. Mas o salário eu acho mais baixo. Tá certo que trabalhei pouco tempo em São Paulo, mas sem nenhum estudo (superior) ganhava mais que meu segundo emprego já na faculdade, que não era estágio.

Aqui é facinho de você ver um artista, e como boa paulistana, sempre que dá e vejo que não vou atrapalhar tanto, peço pra tirar fotos. =D

Também no Rio é muito mais fácil você conhecer alguém que conhece outro alguém que é justamente um conhecido seu. O Rio é uma azeitona, e sem caroço, ainda mais nesse mundinho web.

Ainda gosto mais da Folha que do Globo, mas passei a gostar mais do oglobo.com.br que do UOL. Passei a tomar muito mais mate, é facinho encontrar aqui, e barato. Passei a andar de Havaianas na rua, u-hu! Ninguém me encara aqui quando tou de short e camiseta, em qualquer lugar da cidade. Em São Paulo rola sim um certo preconceito quando não se está bem vestido.

Sinto falta das trufas de São Paulo, que são baratas e deliciosas, além do Black Dog e da Paulista. Passei a gostar mais da natureza, a ser menos estressada. Gosto muito das duas cidades, mas até hoje não consigo me sentir em casa aqui. Cada vez que vou pra São Paulo é como se tivesse voltanto pra casa, e dá um aperto no peito ter que voltar, apesar do Rio ter me recebido de braços abertos e me conquistado fácil.

É isso! Contem também o que acham dessas duas cidades mágicas ;)

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Aleatórios

Postado por bruna em Jun 20, 2008 em pensamentos

Acho tudo muito estranho
Andando pela rua vejo gente louca,
Sem se importar com nada
Alguém dormindo ali no chão sujo é coisa normal
Mas de tão normal, a reação alheia espanta
As pessoas calmas, as estressadas,
As que querem roubar e as que sonham
Os pensamentos vão e só vão, não voltam
Passam tão rápido que junto com o que vejo
O ideal seria ter uma câmera filmando minha mente por um dia
Daria história pro resto da vida
E ela, de tão cíclica que é, espanta
21 anos é pouco, há 10 tinha 11
Quanta mudança, era criança e nem tinha aquela coisa feminina mensal
Penso no quanto de medo desenvolvido
Medos que com 5 anos nem sonhava
Subia no trepa-trepa e ficava de cabeça pra baixo
E agora, nem subir uns andares mais pra cima dá mais
Ver velhos, me imaginar assim me mata
Sei, aproveitar o Presente, que é um presente de Deus
Fato é, vamos envelhecer, não vou ser mais bonita,
Os adolescentes vão me olhar com a cara que eu os olhava
“Tipo assim, você se acha o moderno, né? Se liga, meu”
O quanto me esforço pra conseguir algo
O quanto me acho incapaz e o quanto sou capaz
O que pensam de mim? Que se danem
Não, não se danem não. Quero saber
Sempre quis
Ideal, o que é?
O que fazemos, o que falamos, o que somos
Afinal é que não tem final
Seria melhor se tivesse? Só minhas cinzas saberão
Imaginar o que o outro tá pensando
Viver num tabuleiro de xadrez
Tantas jogadas na frente pra quê
Se liga, seja esperto, fique atento, tão querendo passar a perna
Que passem, que sejam
Não, não passem e não sejam
Assim vivo acordada dia e noite
Pra que nem entrem em casa de noite e me matem
Esses tais pensamentos

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100 anos da imigração japonesa

Postado por bruna em Jun 18, 2008 em cultura, história

Saiu hoje, 18 de junho de 2008, uma reportagem no caderno da Folha especial sobre a Imigração. Em uma parte saiu uma foto grande dos avós do Kiko, maridão da que vos fala. Inclusive o Kiko parece muito esse avô, tem fotos que seria difícil saber quem é quem se não fossem as fotos preto e branco.

Parabéns aos nipônicos desse brasil, que contribuem para um país melhor e que deixaram de lado suas terras para se aventurarem por aqui e por aqui ficaram!

Tenho muito orgulho de ser casada com um descendente de japoneses!

Segue matéria:

Casamento pioneiro uniu carioca e japonês “Manoel”
TEREZA YOSHINAGA NOVAES
DA REPORTAGEM LOCAL

Takeo Iwabuchi chegou à praça Mauá, na zona portuária do Rio, em 1912, aos 22 anos. Deixou a família em Aomori, norte do Japão, e veio para o Brasil depois de receber uma carta de um amigo imigrante.
Seus bens se resumiam a peças de seda e parte de uma herança.
Iwabuchi se instalou com outros conterrâneos em uma pensão. Da sua janela, o recém-chegado observava o movimento da rua e uma moça, que trabalhava como vendedora em uma loja em frente, lhe chamou a atenção. Era Jurema de Araújo, carioca filha de portugueses.
Pouco tempo depois, Iwabuchi se mudou para a pensão da família Araújo, em São Cristovão, e começou a namorar Jurema. Em três anos, decidiram se casar. A notícia do noivado se espalhou pelo bairro e os vizinhos perguntavam aos pais da noiva como eles permitiriam que a filha se casasse com um japonês, afinal ninguém sabia “que gente era essa”.
A união não abalou os Araújo, a matriarca já era chamada de mãe por Takeo. E ele foi rebatizado Manoel pela família.
Depois do casamento, em 1918, o casal se mudou para São Paulo, onde causava estranheza na comunidade nipônica.
“Ele não foi o primeiro a se casar com uma brasileira. Sei de outro casamento em 1912, no Rio, mas em SP foram os primeiros”, diz Paulo Iabutti, 85, um dos sete filhos do casal.
Em fotos de eventos da comunidade, Jurema aparece como a única “gaijin”. Ela se adaptou à cultura, aprendeu os pratos prediletos do marido e fez com que o bacalhau entrasse na lista de seus favoritos.

[Folha de São Paulo, 18/06/2008]

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Love, love, love….

Postado por bruna em Jun 12, 2008 em relacionamentos

Hoje, 12 de junho, dia dos namorados no Brasil.

Há pouco tive um insight e descobri porque no resto do mundo o dia dos namorados é em fevereiro e aqui em junho. Tá, posso ser uma pastel e ser a última que descobriu isso, mas tenho quase certeza que é porque em fevereiro temos Carnaval, e em junho não teríamos nada… Acertei?

Fato é que é muito gostoso ter um namorado pra chamar de seu, ou um maridão pra chamar de meu, ham-ham…. Ou se não, ser solteira(o) e gostar disso ou estar a procura de um(a) namoradão(ona).

Gosto do clima romântico nas ruas e das pessoas comprando coisas que seus parceiros gostem, seja um docinho ou uma jóia. Acho que deveríamos ter mais dias dos namorados. Eu, pelo menos, fico toda boba procurando alguma coisa legal pro meu bonitão, pensando se ele vai usar, se vai gostar…

Tive relacionamentos anteriores que só me marcaram negativamente. Cheguei a pensar em ser lésbica, devido à cafajestagem masculina alheia. Fui traída sim, já fui super de boa com os caras, já tive meus momentos extremos de ciúmes e já jurei que nunca mais teria um relacionamento sério com nenhum outro homem. Tolinha…. me aparece um japonês todo-fofo, lindo, tesão, bonito e gostosão… ui… Mudou minha cabeça. Completamente.

Enfim, que os namorados se amem e se respeitem, sempre. Sejam felizes acima de tudo. É possível acreditar no amor, não é ótimo?

Feliz dia dos namorados!

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Sobre qualquer coisa

Postado por bruna em Jun 7, 2008 em pensamentos

Hoje é daqueles dias que tenho vontade de escrever, mas é tanta coisa aleatória que nem sei por onde começar.

Como disse no meu “about”, não sou muito fã de leitura, mas também quando gosto é pra detonar. Meu bonitão me deu semana passada o “Adeus China - O último bailarino de Mao”. Tem 400 páginas. Li em 5 dias. Muito bom. Não conseguia parar de ler. É tão emocionante ver como o destino põe sua mãozinha no momento certo.

O livro é a autobiografia de Li Cunxin, onde ele conta sobre infância pobre, mas cheia de sonhos, e me levou a questionar muito sobre tudo o que reclamamos, sobre nosso senso crítico. É lindo o livro. Gostei muito, um dos meus preferidos.

Outra coisa que aprendi nesse livro é o quanto somos forçados a alguma coisa e o quanto alguém é responsável para que gostemos de algo. Simples, tenho uma professora de Percepção Visual que me empolga a todo o minuto, que faz a gente ver a diferença entre o óbvio e o sutil. Fantástica. A única aula que não perco por nada. Tenho outros que não sabem transmitir a matéria de uma maneira agradável, e que simplesmente abomino acordar e pensar que vou ter essa aula.

É bom ler livros que empolgam. Sei que sou privilegiada por ter esse acesso que é tão restrito no Brasil. Temos que aproveitar mais, nos esforçarmos mais.

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Sobre a culpa

Postado por bruna em Jun 4, 2008 em pensamentos

Definitivamente esse, pra mim, é o pior sentimento que podemos ter. E o mais legal: não dá pra simplesmente chegar e falar “sai daí, por favor”. Ela aparece, seja naturalmente por um acerto de contas com nossa consciência, seja porque algum infeliz te apontou o dedo e disse que você era horrível por alguma coisa.

Coisas que são ditas a uma criança são incrivelmente guardadas, sejam consciente ou inconscientemente. Boas ou negativas. Ficam como cicatriz, porque você é lembrado toda hora disso.

Bom mesmo é ligar o “Foda-se”, ainda mais com coisas que foram ditas quando era pequeno, afinal de contas, você era um projeto de gente. Se o projeto deu certo, parabéns, você seguiu seu caminho, e aprendeu com os erros do projeto. Se não, so sorry, vire-se com sua consciência.

Às vezes não tem jeito, é um que lembra, outro que fala, mas nosso botãozinho “Foda-se” tem sempre que estar de fácil acesso. Humildade de admitir que erra é uma coisa que aprendi sozinha. Erro, bastante. Você nunca errou?

Fui sempre muito chorona, minha mãe diz que sempre chorei muito, às vezes até sem motivo, chorava por chorar. Não sei por quê. Até hoje, às vezes só as lágrimas conseguem me acalmar. Lembro de várias vezes que chorei até dormir. Medo de não ser uma boa pessoa, medo daquele dedo apontado na minha cara.

Racionalmente pensando, foda-se. Emocionalmente, quem dera se fosse tão fácil apagar as cicatrizes.

Acerto de contas com a consciência

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7 anos

Postado por bruna em Jun 2, 2008 em infância, pensamentos

Sempre digo que não lembro nada antes dessa idade. É algo realmente incrível. Não sei se é porque foi quando comecei a estudar de verdade ou se foi porque foi o ano que conheci uma pessoa importante.

Se lembro de algumas coisas anteriores, é raridade, então quando minha mãe diz as coisas que aconteceram antes disso, acredito piamente, hehe…

Mas de 7 anos eu lembro bem. Lembro da fila que tinha que formar pra entrar na sala, dando postura pra frente e pro lado. Lembro que estudei na 1F, que eu era a número 2 e que tinha uma outra Bruna na sala. Mirradinha essa outra Bruna. Dava aflição vê-la com aparelho e com cabelo joãozinho mas mega-armado e aquela cara chupada de magra. Fica na mente, né? Lembro de algumas pessoas. Lembro da professora Dorinha e do quanto implicou com o meu “J” quando comecei a escrever. Odiava ela por isso.

Eu era espoleta, tinha um bom amigo, tinha o cabelo chanelzinho (corte oficial da minha infância) e com uma franja nem sempre bem reta. Gostava de gemada toda tarde e coitada da minha irmã, ela que tinha que fazer. Pedi a ela pra me ensinar e ela disse que tinha que bater tanto que não podia ficar nem um pontinho mais escuro que o todo. Soa pra mim certa vingança, pois o que tive que bater não era brincadeira, mas pelo menos minhas gemadas sempre eram as melhores =)

Lembro que quando foi ter a primeira aula de natação no colégio quase todos já sabiam nadar, e eu não queria dizer que não tinha, o resultado não podia ser pior, cai na água, sem saber fazer nada e a professora teve que me “salvar”. Vergonha. Depois, só com pranchinha, hehe. nunca nadei muito bem no colégio e sentia uma raiva quando o pessoal ia pra outra raia e eu continuava lá… mas mais velha fiz aulas de natação e virei boa nadadora =)

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