Postado por bruna em Feb 28, 2009 em
Sampa,
desabafo,
infância,
nostalgia
Hoje estou em São Paulo, fazendo escala para amanhã voltar pro Rio. Fomos tradicionalmente à Liberdade comprar coisinhas japonesas, e passamos em frente ao Colégio São José (R. da Glória, 195), que agora virou o Complexo Jurídico Damásio de Jesus (Faculdade de Direito).
Que tristeza sobre isso. Meu coração ficou triste, triste.
Estudei lá dos 7 aos 17 anos, o que equivale a toda vida estudantil. Foi minha segunda casa, onde ficava ansiosa pelas aulas começarem e re-começarem. Onde ouvia e por que não, contestava os professores. Lembro uma vez de ter julgado excessiva a atitude de um professor de Matemática e ter levantado e saído correndo da sala. Era o prof. Manoel, com “o”, corintiano roxo. Foi lá que aprendi a admirar muito meus professores e onde fiz boas amizades. Foi onde errei muito também, e um dos lugares onde também aprendi a não abaixar a cabeça para tudo. Tinha a rigidez da Irmã Geny, como ela impunha respeito, até com um certo medo. Mas quando ela saiu, por politicagem, para deixar uma outra diretora assumir e deixar o Colégio falir, quanta falta sentimos dela. Depois dela nada mais foi igual. Todas as pessoas queridas começaram a ser demitidas. Desde a mestra Rachel, praticamente uma Santa, de tanto acreditar na bondade alheia, mesmo onde não havia bondade, até a Tia Yvette, que quando éramos criança era bem ríspida, mas que depois que crescemos era a mais doce possível.
Inacreditável entrar num lugar tão íntimo e ser uma estranha. Como foi triste andar pelos corredores e ver aquelas lindas cortinas claras, valorizando o sol e tornando o ambiente tão leve, agora serem azul-marinhas, num ambiente que nem luz tem, com aquelas carteiras cinzas e pretas ao invés das de madeira tão bonitas.
Que triste ver que mudaram os banheiros tão antigos, tão bonitos, com pisos clássicos laranjas, por aqueles cinzas de banheiro qualquer nota. Que triste ver a Capela mais linda que existe meio largada, com pintura por fazer e sem “aquela” luzinha vermelha acesa. Que triste ver metade da parede cinza, um cinza tão feio que não combina em nada com a arquitetura e clareza que inspira o ambiente. Parece tão mal pensado, tão mal cuidado. No pátio interno, resolveram colocar algumas esculturas de não sei o quê, que mais uma vez, não tem nada, nada a ver com a beleza do Colégio. E aí fui pra parte externa. A quadra “principal” (a mais visível), está muito mal cuidada, não recebe pintura provavelmente há anos, sendo que era pintada anualmente, invariavelmente. Parece que toda a parte externa é apenas um enfeite. E parece que só não alteraram por algum motivo burocrático. A impressão que passa é que logo logo vão mudar todo aquele resto de beleza.
Quem sabe não transformar em mais um belo cinza prédio de São Paulo.
Que pena. Não recomendo ninguém que estudou lá visitá-lo. Não vale a pena. De verdade.
Minha mãe sempre falou uma coisa que levo bem a sério. A única herança que ela nos deu foi a educação do Colégio. Que bom que no pacote incluía um Colégio lindíssimo e com tantos bons professores. Que bom que me formei antes do colégio acabar. Que pena que acabou.
Bom, aqui é um trechinho do Hino do Colégio, que por mais que na época eu cantasse por obrigação, agora soa nostálgico e emocionante: “Salve, salve, colégio querido//És um templo de ciência e de fé//A ti o peito de amor merecido, dos alunos do Pai São José!”.
O mundo é realmente pequeno e o colégio era realmente tradicional, minha sogra, 59 anos mais velha que eu, também estudou lá. Minha mãe estudou no de Itú e minha irmã no mesmo que eu, apenas 6 anos adiantados.
Meu coração saiu bem triste de lá. Quem sabe um dia não volta a ser um bom colégio, não? Não custa nada sonhar, e espero que consigam tombar aquele patrimônio de Ramos de Azevedo o quanto antes, antes de tantas destruições que já foram feiras, como terem acabado com uma gruta que havia na parte externa do prédio.
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Postado por bruna em Feb 16, 2009 em
facul
Mais uma vez, venho falar do Infnet. Não, não são reclamações ou algo revolucionário. Esse trimestre tem sido bem interessante, tomando interessante por “aprendível”. Estamos com disciplinas boas (Áudio e Vídeo, Roteiro e Storyboard e Processos Criativos) e bons professores.
O Pojucan, de Roteiro e Storyboard é uma peça, e particularmente tenho gostado bem das aulas dele. Ele incentiva a gente a pensar, por mais que talvez ainda não tenha tanta didática, como ele mesmo já disse. Mas foi o único que nos fez não ter aula na frente do computador, e acho sim que devíamos ter tido bem mais aulas assim.
Mas é sobre o Léo Caldi, de Processos Criativos, que vou falar. Tivemos poucos professores designers de formação. Podemos contar nos dedos os que tivemos, o que é extremamente necessário numa faculdade de design (tum!). Logo de início, sem nem começar a primeira aula, ele pareceu ser super gente boa, querendo se integrar, falando com a gente no corredor, etc… E quando ele começou a aula, tava tudo bem… Mas não sei bem o que aconteceu, ele travou de repente. Acho que foi porque nosso Waltem falou sobre a turma (dos problemas iniciais na facul - pois por sermos primeira turma, tivemos “alguns” problemas), mas ele falou super de boa, só contando mesmo sobre como somos. Só para ele se situar. Mas acho que por ser a primeira turma dele também (aqui na facult), misturou ansiedade com medo de frustração, não sei…
Mesmo assim depois ele continuou a aula, tava bem legal, a gente tava até mais participativo, tentando ajudar mesmo, mas não deu, não era o dia dele e ponto final. Mesmo assim ele ainda deu uma aula legal. Mas a segunda aula já foi tudo de bom. Adorei. E acho que o pessoal também gostou, pois muita gente participou. E ele só foi melhorando. Enfim, posso dizer que foi 01 aula que o prof. travou e as outras certamente já serviram para apagá-la e superar imensamente…
Só para terem ideia, que eu me lembre, foi o único professor (em quase 3 anos) que deu uma prova no papel para desenharmos. Sim, e fomos mal [/orgulho mode off]. Pois é, isso tem uma lição bem boa: Precisamos de professores que sejam designers se quisermos ser designers. Lógico. E eu digo, talvez eu tenha reclamado de muitos professores, mas esse está sendo fundamental para nossa formação. Talvez já não estejamos mais tanto no pique de irmos atrás do que é falado (nunca é tarde, mãs…), mas certamente se tivéssemos tido mais professores assim, seríamos profissionais melhores.
É isso, pessoas, precisamos de mais professores que sejam bons e consigam incentivar nossa criatividade. E claro, precisamos nos esforçar para chegar onde queremos… =)
Besos
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Postado por bruna em Feb 9, 2009 em
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Hoje terminei de ler esse livro lindo de Luis Nassif. Quando estudei na PUC por um tempo me deleitava na livraria que tem lá. E um dia, último dia do curso, cheguei um pouco antes pra comprar o livro de presente pro maridão. Levei dois. Por acaso meu olho bateu no livro dele. E foi uma boa surpresa, porque só lembrava dele na Cultura, com os comentários de economia. Mas já tinha uma simpatia gratuita, e que só aumentou depois do livro. Pra quem gosta de crônicas, de tentar entender um pouco sobre o processo da vida, ou ainda quem adora chorinho, como ele, tem um prato cheio pela frente.
Gostei, me fez pensar bastante. Talvez me mude a longo prazo, pois tem boas indicações de caminho para o futuro. O tão temido futuro da minha cabeça. Lindo, simples assim.
Mudando um pouco de assunto, esse sábado fui à terrinha para um curso do Tipocracia Mais FontLab, e foi muito legal, até desenvolvi uma fonte, claro que precisa ser hiper mais bem trabalhada, mas pelo menos nasceu. Apesar da chuva que alagou onde estávamos, foi bem legal, depois o Henrique me deu uma carona e fomos ao Black Dog junto com o Eduílson, que não conhecia lá.
São Paulo me inspira. São Paulo é meu berço, como sou apaixonada por essa cidade. Posso tomar chuva que tomo feliz, posso comer porcaria que como feliz, posso esperar o ônibus quase 1h, que fico quase feliz, posso falar do meu jeito e não ficar com vergonha de falar diferente, pois estou em casa, posso andar pela Paulista e ser a paulistana mais paulistana de todas, posso voltar para o Rio e me sentir saindo de casa de uma maneira inexplicável. Posso chegar no Rio e ser muito feliz por voltar para minha casinha com meu maridão. Mas nunca será São Paulo…
Ando bem em dúvida sobre o que serei quando crescer. Gosto muito de Design, mas de fato, não sou designer. Muitos têm ouvido esse discurso ultimamente, e muito obrigada por me ouvirem. Obrigada por tentarem me entender. Mas isso tem me consumido bastante. Como disse na minha bio, meu grande sonho era ser delegada criminal. Sei que nunca vou ser, por muitos fatores. Falam que eu deveria ser jornalista, mas acho que sou muito egoísta pra ser. Enfim… tenho mais esse ano na faculdade, está tranqüilo por lá, estou gostando deste trimestre, os professores são bons e as matérias estão mais interessantes. Estou fazendo a monitoria de Tipografia, e estou gostando e aprendendo muito, valeu Chico =)
No mais, obras em casa, perguntas na cabeça e tentando repondê-las aos poucos. Espero um dia conseguir respondê-las, porque elas ficam inquietas por lá.
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