mágoas II
Minha amiga deste post resolveu me contar mais algumas coisas que a angustiam de verdade.
Minha amiga descobriu que vai ser mãe. Ainda não sabe se é menino ou menina, mas ela e seu marido, muito especial, estão muito felizes. Uma nova chance de fazer tudo de uma maneira melhor, de uma maneira mais às claras, com ela e com todos a sua volta.
Apesar de todos sempre falarem pra ela que era igual seu jeito e de sua mãe, ela percebe que não sabem de onde tiraram isso. Talvez as duas sejam bravas, mas nada além disso. Ideias diferentes, objetivos diferentes, jeitos absolutamente diferentes de encararem a vida. Mas no fim, ela também achava que era parecida, e achava isso legal, motivo de orgulho. Ela não sente mais isso.
Esses dias ela percebeu que sua mãe sempre falava que sua avó desunia as filhas, que por isso que cada uma tinha algum problema, nenhuma era casada, e que elas não eram próximas. Minha amiga acha que quando você não está satisfeito com alguma coisa, você deve deixar de lado e partir para uma nova, e não é porque existe sangue no meio que se deve ficar preso. Ela mesma quis rompê-los desde muito cedo, sem se importar com isso, já que ser feliz é ser livre, nem que seja livre de você mesmo.
Mas por curiosidade minha amiga disse que a mãe dela fazia as mesmas coisas com ela e sua irmã. Ela nem pode falar com a irmã, única irmã, que a mãe fica querendo saber as conversas e o que estavam falando mal dela (…).
Ela, quando pequena, mentia muito, e sabia disso. Sua mãe também, e ao invés de procurar ajuda ou tentar entender o porquê de suas mentiras, acabou por deixar e apontar o dedo na cara de minha amiga, era mais fácil ao invés de tentar corrigi-la. Era mais cômodo tentar vê-la como um adulto quando convinha e jogar na cara que quem bancava a casa era ela, e que deviam toda obediência a ela, e que se não gostasse a porta era a serventia da casa.
Acabou que por esses dias ela percebeu como perdeu amigos de infância (os poucos) por causa de suas mentiras de infância. Ela se tornou uma detectora de mentira das melhores, e para mim é exemplo de caráter, o que para mim entendo como provavelmente uma falta de atenção, de explicações, de coisas normais que uma criança precisa.
Ela sabe que a mãe deve amá-la. Ela sabe que a mãe gosta dela, do jeito todo particular dela, de um jeito que fere minha amiga, ao invés de acalentar. Minha amiga não entende porque sua mãe não procura ajuda médica, quando é visível que precisa, ou por que ela não muda, sendo nítido que precisa.
Hoje minha amiga não quer ter contato com sua família, porque tudo que se faz quanto a isso parece uma traição à mãe, parecida com a quando ela e sua irmã estão mais próximas. E sua mãe tem conseguido isso. Não acho que seja consciente, mas como vejo de fora, acho que é loucura. Mas mais uma vez, minha amiga é forte, esse bebê vai ser muito importante para muitas superações, tenho certeza, é visível como será uma boa mãe e como tentará entender seu bebê, sempre, independente de suas escolhas. Vai lá, amiga, você consegue!