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mágoas II

Postado por bruna em Aug 26, 2009 em desabafo, infância, pensamentos, relacionamentos

Minha amiga deste post resolveu me contar mais algumas coisas que a angustiam de verdade.

Minha amiga descobriu que vai ser mãe. Ainda não sabe se é menino ou menina, mas ela e seu marido, muito especial, estão muito felizes. Uma nova chance de fazer tudo de uma maneira melhor, de uma maneira mais às claras, com ela e com todos a sua volta.

Apesar de todos sempre falarem pra ela que era igual seu jeito e de sua mãe, ela percebe que não sabem de onde tiraram isso. Talvez as duas sejam bravas, mas nada além disso. Ideias diferentes, objetivos diferentes, jeitos absolutamente diferentes de encararem a vida. Mas no fim, ela também achava que era parecida, e achava isso legal, motivo de orgulho. Ela não sente mais isso.

Esses dias ela percebeu que sua mãe sempre falava que sua avó desunia as filhas, que por isso que cada uma tinha algum problema, nenhuma era casada,  e que elas não eram próximas. Minha amiga acha que quando você não está satisfeito com alguma coisa, você deve deixar de lado e partir para uma nova, e não é porque existe sangue no meio que se deve ficar preso. Ela mesma quis rompê-los desde muito cedo, sem se importar com isso, já que ser feliz é ser livre, nem que seja livre de você mesmo.

Mas por curiosidade minha amiga disse que a mãe dela fazia as mesmas coisas com ela e sua irmã. Ela nem pode falar com a irmã, única irmã, que a mãe fica querendo saber as conversas e o que estavam falando mal dela (…).

Ela, quando pequena, mentia muito, e sabia disso. Sua mãe também, e ao invés de procurar ajuda ou tentar entender o porquê de suas mentiras, acabou por deixar e apontar o dedo na cara de minha amiga, era mais fácil ao invés de tentar corrigi-la. Era mais cômodo tentar vê-la como um adulto quando convinha e jogar na cara que quem bancava a casa era ela, e que deviam toda obediência a ela, e que se não gostasse a porta era a serventia da casa.

Acabou que por esses dias ela percebeu como perdeu amigos de infância (os poucos) por causa de suas mentiras de infância. Ela se tornou uma detectora de mentira das melhores, e para mim é exemplo de caráter, o que para mim entendo como provavelmente uma falta de atenção, de explicações, de coisas normais que uma criança precisa.

Ela sabe que a mãe deve amá-la. Ela sabe que a mãe gosta dela, do jeito todo particular dela, de um jeito que fere minha amiga, ao invés de acalentar. Minha amiga não entende porque sua mãe não procura ajuda médica, quando é visível que precisa, ou por que ela não muda, sendo nítido que precisa.

Hoje minha amiga não quer ter contato com sua família, porque tudo que se faz quanto a isso parece uma traição à mãe, parecida com a quando ela e sua irmã estão mais próximas. E sua mãe tem conseguido isso. Não acho que seja consciente, mas como vejo de fora, acho que é loucura. Mas mais uma vez, minha amiga é forte, esse bebê vai ser muito importante para muitas superações, tenho certeza, é visível como será uma boa mãe e como tentará entender seu bebê, sempre, independente de suas escolhas. Vai lá, amiga, você consegue!

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O falecido Colégio São José

Postado por bruna em Feb 28, 2009 em Sampa, desabafo, infância, nostalgia

Hoje estou em São Paulo, fazendo escala para amanhã voltar pro Rio. Fomos tradicionalmente à Liberdade comprar coisinhas japonesas, e passamos em frente ao Colégio São José (R. da Glória, 195), que agora virou o Complexo Jurídico Damásio de Jesus (Faculdade de Direito).

Que tristeza sobre isso. Meu coração ficou triste, triste.

Estudei lá dos 7 aos 17 anos, o que equivale a toda vida estudantil. Foi minha segunda casa, onde ficava ansiosa pelas aulas começarem e re-começarem. Onde ouvia e por que não, contestava os professores. Lembro uma vez de ter julgado excessiva a atitude de um professor de Matemática e ter levantado e saído correndo da sala. Era o prof. Manoel, com “o”, corintiano roxo. Foi lá que aprendi a admirar muito meus professores e onde fiz boas amizades. Foi onde errei muito também, e um dos lugares onde também aprendi a não abaixar a cabeça para tudo. Tinha a rigidez da Irmã Geny, como ela impunha respeito, até com um certo medo. Mas quando ela saiu, por politicagem, para deixar uma outra diretora assumir e deixar o Colégio falir, quanta falta sentimos dela. Depois dela nada mais foi igual. Todas as pessoas queridas começaram a ser demitidas. Desde a mestra Rachel, praticamente uma Santa, de tanto acreditar na bondade alheia, mesmo onde não havia bondade, até a Tia Yvette, que quando éramos criança era bem ríspida, mas que depois que crescemos era a mais doce possível.

Inacreditável entrar num lugar tão íntimo e ser uma estranha. Como foi triste andar pelos corredores e ver aquelas lindas cortinas claras, valorizando o sol e tornando o ambiente tão leve, agora serem azul-marinhas, num ambiente que nem luz tem, com aquelas carteiras cinzas e pretas ao invés das de madeira tão bonitas.

Que triste ver que mudaram os banheiros tão antigos, tão bonitos, com pisos clássicos laranjas, por aqueles cinzas de banheiro qualquer nota. Que triste ver a Capela mais linda que existe meio largada, com pintura por fazer e sem “aquela” luzinha vermelha acesa. Que triste ver metade da parede cinza, um cinza tão feio que não combina em nada com a arquitetura e clareza que inspira o ambiente. Parece tão mal pensado, tão mal cuidado. No pátio interno, resolveram colocar algumas esculturas de não sei o quê, que mais uma vez, não tem nada, nada a ver com a beleza do Colégio. E aí fui pra parte externa. A quadra “principal” (a mais visível), está muito mal cuidada, não recebe pintura provavelmente há anos, sendo que era pintada anualmente, invariavelmente. Parece que toda a parte externa é apenas um enfeite. E parece que só não alteraram por algum motivo burocrático. A impressão que passa é que logo logo vão mudar todo aquele resto de beleza.

Quem sabe não transformar em mais um belo cinza prédio de São Paulo.

Que pena. Não recomendo ninguém que estudou lá visitá-lo. Não vale a pena. De verdade.

Minha mãe sempre falou uma coisa que levo bem a sério. A única herança que ela nos deu foi a educação do Colégio. Que bom que no pacote incluía um Colégio lindíssimo e com tantos bons professores. Que bom que me formei antes do colégio acabar. Que pena que acabou.

Bom, aqui é um trechinho do Hino do Colégio, que por mais que na época eu cantasse por obrigação, agora soa nostálgico e emocionante: “Salve, salve, colégio querido//És um templo de ciência e de fé//A ti o peito de amor merecido, dos alunos do Pai São José!”.

O mundo é realmente pequeno e o colégio era realmente tradicional, minha sogra, 59 anos mais velha que eu, também estudou lá. Minha mãe estudou no de Itú e minha irmã no mesmo que eu, apenas 6 anos adiantados.

Meu coração saiu bem triste de lá. Quem sabe um dia não volta a ser um bom colégio, não? Não custa nada sonhar, e espero que consigam tombar aquele patrimônio de Ramos de Azevedo o quanto antes, antes de tantas destruições que já foram feiras, como terem acabado com uma gruta que havia na parte externa do prédio.

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São Paulo

Postado por bruna em Jan 25, 2009 em Sampa, infância, orgulho

À minha cidade querida dedico muitas memórias.

Desde as idas aos domingos ao Parque da Aclimação, onde quando criança pegávamos o trenzinho que dava a volta no bairro, e parecia enorme, até a Av. Chucri Zaidan, palco do meu primeiro e único emprego na cidade, onde mudou minha vida.

O colégio na Liberdade, e estar acostumada a ir sempre à Galvão Bueno, na Ikesaki, ou no Shop. Santa Cruz, Paulista, o Ibira, são coisas que vêm em lembranças avassaladoras de como amo essa cidade.

Não é perfeita, nenhuma é. Nunca conheci mais que metade da enorme metrópole. Talvez nem 25%. Mas a amo, e muito. Os paulistanos não são tão sérios quanto se diz por aí. Gostamos de balada, de boa música e boa comida. E fazemos muito bem tudo isso.

Cidade que às vezes dá nos nervos de tão cinza que é às 7:30h. A geografia foi maldosa nesse aspecto. Em comensação, nossos espaços são mais bem divididos. Também estamos perto da praia, por incrível que possa parecer. 1h e estamos lá.

É uma cidade bonita também. De arquitetura de Ramos de Azevedo espalhadas por muitos cantos da cidade, de prédios muito estranhos e feios também.

São Paulo não é uma cidade qualquer. É o coração econômico do Brasil, tem muitas facetas e falsetes.

E hoje, tão bem acolhida em outra grande capital, tento achar todos os meios possíveis para voltar para casa. Minha cidade tão querida. Só minha, onde me sinto à vontade para andar sem me preocupar, por mais que tenha que me preocupar, mas é como se conhecesse cada cantinho, cada lugar exato por onde vou passar. Tudo bem, não é beeem assim, mas bem poderia.

Penso nela todos os dias, praticamente. Sinto falta, saudades, sempre que vou é uma alegria. Comer pizza, esfiha, coisas com muzzarela ao invés de queijo minas, escarola ao invés de chicória, ouvir os “meus” e “faróis” e abrir um largo sorriso…

Parabéns, São Paulo!

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7 anos

Postado por bruna em Jun 2, 2008 em infância, pensamentos

Sempre digo que não lembro nada antes dessa idade. É algo realmente incrível. Não sei se é porque foi quando comecei a estudar de verdade ou se foi porque foi o ano que conheci uma pessoa importante.

Se lembro de algumas coisas anteriores, é raridade, então quando minha mãe diz as coisas que aconteceram antes disso, acredito piamente, hehe…

Mas de 7 anos eu lembro bem. Lembro da fila que tinha que formar pra entrar na sala, dando postura pra frente e pro lado. Lembro que estudei na 1F, que eu era a número 2 e que tinha uma outra Bruna na sala. Mirradinha essa outra Bruna. Dava aflição vê-la com aparelho e com cabelo joãozinho mas mega-armado e aquela cara chupada de magra. Fica na mente, né? Lembro de algumas pessoas. Lembro da professora Dorinha e do quanto implicou com o meu “J” quando comecei a escrever. Odiava ela por isso.

Eu era espoleta, tinha um bom amigo, tinha o cabelo chanelzinho (corte oficial da minha infância) e com uma franja nem sempre bem reta. Gostava de gemada toda tarde e coitada da minha irmã, ela que tinha que fazer. Pedi a ela pra me ensinar e ela disse que tinha que bater tanto que não podia ficar nem um pontinho mais escuro que o todo. Soa pra mim certa vingança, pois o que tive que bater não era brincadeira, mas pelo menos minhas gemadas sempre eram as melhores =)

Lembro que quando foi ter a primeira aula de natação no colégio quase todos já sabiam nadar, e eu não queria dizer que não tinha, o resultado não podia ser pior, cai na água, sem saber fazer nada e a professora teve que me “salvar”. Vergonha. Depois, só com pranchinha, hehe. nunca nadei muito bem no colégio e sentia uma raiva quando o pessoal ia pra outra raia e eu continuava lá… mas mais velha fiz aulas de natação e virei boa nadadora =)

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