Postado por bruna em Sep 23, 2009 em
expectativas,
gravidez,
nostalgia
Interessante como realmente mudamos sempre. Fico feliz em poder conseguir observar isso e ver o que errei, o que mudaria se pudesse, o que mudarei se posso e o que acertei.
É muito legal olhar pra trás e ver no tanto que o passado contribui para o que sou hoje. Mas também acho que o que sou hoje é muito do que quero ser amanhã, senão não teria objetivos.
É, não sei se tá batendo aquele “sentimento mãe”, mas confesso que me sinto muito bem assim. A partir do momento que descobri a gravidez comecei instintivamente a querer olhar o meu passado, analisar coisas de criança, e mesmo o motivo de tantos acertos e erros. Acho que é instinto mesmo, pra fazer aquilo de melhor que já foi passado e tentar não repetir as coisas que não nos agradaram.
Ando mais boba, eu que sempre fui tão atenta a tudo, de repente me vejo mais leve, só tentando imaginar as coisas boas das pessoas. Por um momento olho pra trás e me vejo tão boba em um papel tão desgastante de reclamar, de brigar por tudo e com todos. Vale a pena de fato? Não que isso tire o fato de contestar, longe disso, senão estarei cega. Mas é algo melhor, algo pra melhor. No fim, é você com você mesma.
Ando tentando ver as coisas boas, de tudo. Claro, é desanimador às vezes. Chega a parecer que nada tem salvação, que somos eternos palhaços… mas algo mudou. Espero que seja além dos 9 meses. Espero realmente ser melhor, sempre. E desejo muito que as pessoas não tenham medo das mudanças. Sempre traz coisas boas. Se não trouxer, voltar nunca é vergonha, se for possível, claro.
Há um tempo tenho aprendido que ser sincera comigo mesma é o melhor. Tou a fim de fazer isso, então vou fazer. Não estou, não vou. Não acho que satisfazendo egos vou ser melhor. Não acho que ser egoísta é ser melhor. Simplesmente equilibro, se estou bem, mas não estou tão a fim, vou fazer, não vai me custar nada, e posso fazer alguém mais feliz. Se eu for me importar, for me chatear só de pensar em pôr o pé pra fora de casa, não vou naquele dia, naquela hora. E assim vai…
Enfim, só mais pensamentos.
Tags: expectativas, gravidez, nostalgia
Postado por bruna em Feb 28, 2009 em
Sampa,
desabafo,
infância,
nostalgia
Hoje estou em São Paulo, fazendo escala para amanhã voltar pro Rio. Fomos tradicionalmente à Liberdade comprar coisinhas japonesas, e passamos em frente ao Colégio São José (R. da Glória, 195), que agora virou o Complexo Jurídico Damásio de Jesus (Faculdade de Direito).
Que tristeza sobre isso. Meu coração ficou triste, triste.
Estudei lá dos 7 aos 17 anos, o que equivale a toda vida estudantil. Foi minha segunda casa, onde ficava ansiosa pelas aulas começarem e re-começarem. Onde ouvia e por que não, contestava os professores. Lembro uma vez de ter julgado excessiva a atitude de um professor de Matemática e ter levantado e saído correndo da sala. Era o prof. Manoel, com “o”, corintiano roxo. Foi lá que aprendi a admirar muito meus professores e onde fiz boas amizades. Foi onde errei muito também, e um dos lugares onde também aprendi a não abaixar a cabeça para tudo. Tinha a rigidez da Irmã Geny, como ela impunha respeito, até com um certo medo. Mas quando ela saiu, por politicagem, para deixar uma outra diretora assumir e deixar o Colégio falir, quanta falta sentimos dela. Depois dela nada mais foi igual. Todas as pessoas queridas começaram a ser demitidas. Desde a mestra Rachel, praticamente uma Santa, de tanto acreditar na bondade alheia, mesmo onde não havia bondade, até a Tia Yvette, que quando éramos criança era bem ríspida, mas que depois que crescemos era a mais doce possível.
Inacreditável entrar num lugar tão íntimo e ser uma estranha. Como foi triste andar pelos corredores e ver aquelas lindas cortinas claras, valorizando o sol e tornando o ambiente tão leve, agora serem azul-marinhas, num ambiente que nem luz tem, com aquelas carteiras cinzas e pretas ao invés das de madeira tão bonitas.
Que triste ver que mudaram os banheiros tão antigos, tão bonitos, com pisos clássicos laranjas, por aqueles cinzas de banheiro qualquer nota. Que triste ver a Capela mais linda que existe meio largada, com pintura por fazer e sem “aquela” luzinha vermelha acesa. Que triste ver metade da parede cinza, um cinza tão feio que não combina em nada com a arquitetura e clareza que inspira o ambiente. Parece tão mal pensado, tão mal cuidado. No pátio interno, resolveram colocar algumas esculturas de não sei o quê, que mais uma vez, não tem nada, nada a ver com a beleza do Colégio. E aí fui pra parte externa. A quadra “principal” (a mais visível), está muito mal cuidada, não recebe pintura provavelmente há anos, sendo que era pintada anualmente, invariavelmente. Parece que toda a parte externa é apenas um enfeite. E parece que só não alteraram por algum motivo burocrático. A impressão que passa é que logo logo vão mudar todo aquele resto de beleza.
Quem sabe não transformar em mais um belo cinza prédio de São Paulo.
Que pena. Não recomendo ninguém que estudou lá visitá-lo. Não vale a pena. De verdade.
Minha mãe sempre falou uma coisa que levo bem a sério. A única herança que ela nos deu foi a educação do Colégio. Que bom que no pacote incluía um Colégio lindíssimo e com tantos bons professores. Que bom que me formei antes do colégio acabar. Que pena que acabou.
Bom, aqui é um trechinho do Hino do Colégio, que por mais que na época eu cantasse por obrigação, agora soa nostálgico e emocionante: “Salve, salve, colégio querido//És um templo de ciência e de fé//A ti o peito de amor merecido, dos alunos do Pai São José!”.
O mundo é realmente pequeno e o colégio era realmente tradicional, minha sogra, 59 anos mais velha que eu, também estudou lá. Minha mãe estudou no de Itú e minha irmã no mesmo que eu, apenas 6 anos adiantados.
Meu coração saiu bem triste de lá. Quem sabe um dia não volta a ser um bom colégio, não? Não custa nada sonhar, e espero que consigam tombar aquele patrimônio de Ramos de Azevedo o quanto antes, antes de tantas destruições que já foram feiras, como terem acabado com uma gruta que havia na parte externa do prédio.
Tags: desabafo, infância, nostalgia, Sampa