O falecido Colégio São José
Hoje estou em São Paulo, fazendo escala para amanhã voltar pro Rio. Fomos tradicionalmente à Liberdade comprar coisinhas japonesas, e passamos em frente ao Colégio São José (R. da Glória, 195), que agora virou o Complexo Jurídico Damásio de Jesus (Faculdade de Direito).
Que tristeza sobre isso. Meu coração ficou triste, triste.
Estudei lá dos 7 aos 17 anos, o que equivale a toda vida estudantil. Foi minha segunda casa, onde ficava ansiosa pelas aulas começarem e re-começarem. Onde ouvia e por que não, contestava os professores. Lembro uma vez de ter julgado excessiva a atitude de um professor de Matemática e ter levantado e saído correndo da sala. Era o prof. Manoel, com “o”, corintiano roxo. Foi lá que aprendi a admirar muito meus professores e onde fiz boas amizades. Foi onde errei muito também, e um dos lugares onde também aprendi a não abaixar a cabeça para tudo. Tinha a rigidez da Irmã Geny, como ela impunha respeito, até com um certo medo. Mas quando ela saiu, por politicagem, para deixar uma outra diretora assumir e deixar o Colégio falir, quanta falta sentimos dela. Depois dela nada mais foi igual. Todas as pessoas queridas começaram a ser demitidas. Desde a mestra Rachel, praticamente uma Santa, de tanto acreditar na bondade alheia, mesmo onde não havia bondade, até a Tia Yvette, que quando éramos criança era bem ríspida, mas que depois que crescemos era a mais doce possível.
Inacreditável entrar num lugar tão íntimo e ser uma estranha. Como foi triste andar pelos corredores e ver aquelas lindas cortinas claras, valorizando o sol e tornando o ambiente tão leve, agora serem azul-marinhas, num ambiente que nem luz tem, com aquelas carteiras cinzas e pretas ao invés das de madeira tão bonitas.
Que triste ver que mudaram os banheiros tão antigos, tão bonitos, com pisos clássicos laranjas, por aqueles cinzas de banheiro qualquer nota. Que triste ver a Capela mais linda que existe meio largada, com pintura por fazer e sem “aquela” luzinha vermelha acesa. Que triste ver metade da parede cinza, um cinza tão feio que não combina em nada com a arquitetura e clareza que inspira o ambiente. Parece tão mal pensado, tão mal cuidado. No pátio interno, resolveram colocar algumas esculturas de não sei o quê, que mais uma vez, não tem nada, nada a ver com a beleza do Colégio. E aí fui pra parte externa. A quadra “principal” (a mais visível), está muito mal cuidada, não recebe pintura provavelmente há anos, sendo que era pintada anualmente, invariavelmente. Parece que toda a parte externa é apenas um enfeite. E parece que só não alteraram por algum motivo burocrático. A impressão que passa é que logo logo vão mudar todo aquele resto de beleza.
Quem sabe não transformar em mais um belo cinza prédio de São Paulo.
Que pena. Não recomendo ninguém que estudou lá visitá-lo. Não vale a pena. De verdade.
Minha mãe sempre falou uma coisa que levo bem a sério. A única herança que ela nos deu foi a educação do Colégio. Que bom que no pacote incluía um Colégio lindíssimo e com tantos bons professores. Que bom que me formei antes do colégio acabar. Que pena que acabou.
Bom, aqui é um trechinho do Hino do Colégio, que por mais que na época eu cantasse por obrigação, agora soa nostálgico e emocionante: “Salve, salve, colégio querido//És um templo de ciência e de fé//A ti o peito de amor merecido, dos alunos do Pai São José!”.
O mundo é realmente pequeno e o colégio era realmente tradicional, minha sogra, 59 anos mais velha que eu, também estudou lá. Minha mãe estudou no de Itú e minha irmã no mesmo que eu, apenas 6 anos adiantados.
Meu coração saiu bem triste de lá. Quem sabe um dia não volta a ser um bom colégio, não? Não custa nada sonhar, e espero que consigam tombar aquele patrimônio de Ramos de Azevedo o quanto antes, antes de tantas destruições que já foram feiras, como terem acabado com uma gruta que havia na parte externa do prédio.
Ah, isto é uma pena mesmo. Pelo que vi, não houve nenhum cuidado pra preservar o patrimônio que era o colégio. Pelo menos durante todo o tempo que vc estudou lá o colégio se manteve. E esta experiência e as lembranças deste tempo vc vai manter pra sempre, né?
Te amo!
Olá Bruna,
Fui aluno do Colégio São José dos meus 03 anos aos meus 16 anos.
Na semana passada, acordei com o hino do colégio em mente e digitei ele no google para ver o que eu poderia encontrar.
Enfim, encontrei seu blog, seu texto sábio e palavras das quais muito me identifiquei.
Foi muito bom e legal poder compartilhar uma visão tão próxima da minha.
Suas opiniões se aproximam da minha no que diz respeito a educação que recebemos no colédio, diferencial para minha postura nos dias de hoje.
Gostei de tudo!
Parabéns pelo seu texto e por escrever, podendo assim compartilhar sua opinião e fazer com que pessoas como eu se identifiquem…
Beijos
Carolina
Bruna, sou uma ex aluna que deixou o colégio há 35 anos (1974),formanda do curso de secretariado, com muita honra e alegria. Naquele local vivi momentos felizes que jamais se apagaram de minha vida. Até hoje tenho amizade com jovens que estudaram naquela epoca no colegio e que também foram felizes como eu. Sinto muita tristeza pelo que aconteceu com aquele local e que deixou somente lembranças e memorias. Procuro por algumas colegas para
podermos reviver aqueles bons momentos novamente.
Adorei seus comentario, Parabens.
Gerluce
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Bruna, procurando alguma informação sobre o Colégio São José, encontrei sua mensagem no blog, confesso que fiquei emocionada. Suas palavras retratam o sentimento de muitos que esturaram e realmente valorizaram o tempo que estiveram no colégio.
Depois de suas palavras, confesso que fico aliviada por morar em Brasília, tornando quase que impossível a visita ao colégio ainda mais depois do nascimento de minha segunda filha, que agora está com 7 meses.
Amei o tempo que passei no colégio, aprendi muito também, com os professores rigídos como a Irmã Cecília que não aceitava que usassémos o casaco amarrado na cintura até a Júlinha de Quimíca que não estava nem aí, queria era que a aula terminasse logo para ela ir embora…
E que saudades da nossa Mestra Deomira, a melhor professora que tive, o português era tão fácil com ela, mas não podíamos aprontar que ela dava um ponto negativo às “cabecinhas de vento”…
Tempos que não voltam mais… guardo na memória cada travessura, cada história, cada emoção!
Um grande abraço, amiga Bruna, que talvez não a tenha conhecido pessoalmente, mas que compartilha comigo as mesmas saudosices… se assim podemos chamar…
Ola Bruna, tambem estudei no Sao Jose dos 6 anos aos 16 anos (da primeira serie ao 3º colegial) mas sempre estudei a tarde, exceto no colegial.
A santa casa de misericordia era a mantenedora do Sao Jose mas nao dava muito lucro, por isso primeiro tornaram a escola que era so de mulher em mista e depois acabaram fechando as portas.
Hoje o Damasio arrendou o predio para instalar sua faculdade e o curso preparatorio para concurso. Uma pena saber que ele nao cuida direito, porque ele comecou seu curso ha muito tempo atras, num escritorio em um predio em frente ao CSJ (ao lado da lanchonete de esquina) e durante muito tempo o colegio foi a vista de seu escritorio.
Ate hoje sonho de vez em quando que estou correndo pelos corredores do primeiro andar , com aqueles janeloes enormes.
Que nostalgia…. sinal que estamos ficando velhas…rs…
bjs