Sobre a culpa
Definitivamente esse, pra mim, é o pior sentimento que podemos ter. E o mais legal: não dá pra simplesmente chegar e falar “sai daí, por favor”. Ela aparece, seja naturalmente por um acerto de contas com nossa consciência, seja porque algum infeliz te apontou o dedo e disse que você era horrível por alguma coisa.
Coisas que são ditas a uma criança são incrivelmente guardadas, sejam consciente ou inconscientemente. Boas ou negativas. Ficam como cicatriz, porque você é lembrado toda hora disso.
Bom mesmo é ligar o “Foda-se”, ainda mais com coisas que foram ditas quando era pequeno, afinal de contas, você era um projeto de gente. Se o projeto deu certo, parabéns, você seguiu seu caminho, e aprendeu com os erros do projeto. Se não, so sorry, vire-se com sua consciência.
Às vezes não tem jeito, é um que lembra, outro que fala, mas nosso botãozinho “Foda-se” tem sempre que estar de fácil acesso. Humildade de admitir que erra é uma coisa que aprendi sozinha. Erro, bastante. Você nunca errou?
Fui sempre muito chorona, minha mãe diz que sempre chorei muito, às vezes até sem motivo, chorava por chorar. Não sei por quê. Até hoje, às vezes só as lágrimas conseguem me acalmar. Lembro de várias vezes que chorei até dormir. Medo de não ser uma boa pessoa, medo daquele dedo apontado na minha cara.
Racionalmente pensando, foda-se. Emocionalmente, quem dera se fosse tão fácil apagar as cicatrizes.

É, infelizmente não é simples tirar da cabeça estas coisas, mesmo sabendo que racionalmente é isto que a gente deveria fazer. Mas acho que a gente tem sempre que realmente tentar não ficar sofrendo e ligar mesmo o “foda-se”. Não que a gente não esteja nem aí pros nossos erros. Todos nós erramos, mas o importante é aprender com os erros. Se erramos e aprendemos, é o que importa. Se alguém nos acusar pelo erro que cometemos no passado como se a gente ainda cometesse o mesmo erro, aí acho que temos o direito e o dever de ligar o “foda-se”. Realmente, pena que não é tão fácil ligar o botãozinho…