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“A casa da minha infância”

Postado por bruna em Feb 9, 2009 em Sampa, cultura, desabafo, pensamentos

Hoje terminei de ler esse livro lindo de Luis Nassif. Quando estudei na PUC por um tempo me deleitava na livraria que tem lá. E um dia, último dia do curso, cheguei um pouco antes pra comprar o livro de presente pro maridão. Levei dois. Por acaso meu olho bateu no livro dele. E foi uma boa surpresa, porque só lembrava dele na Cultura, com os comentários de economia. Mas já tinha uma simpatia gratuita, e que só aumentou depois do livro. Pra quem gosta de crônicas, de tentar entender um pouco sobre o processo da vida, ou ainda quem adora chorinho, como ele, tem um prato cheio pela frente.

Gostei, me fez pensar bastante. Talvez me mude a longo prazo, pois tem boas indicações de caminho para o futuro. O tão temido futuro da minha cabeça. Lindo, simples assim.

Mudando um pouco de assunto, esse sábado fui à terrinha para um curso do Tipocracia Mais FontLab, e foi muito legal, até desenvolvi uma fonte, claro que precisa ser hiper mais bem trabalhada, mas pelo menos nasceu. Apesar da chuva que alagou onde estávamos, foi bem legal, depois o Henrique me deu uma carona e fomos ao Black Dog junto com o Eduílson, que não conhecia lá.

São Paulo me inspira. São Paulo é meu berço, como sou apaixonada por essa cidade. Posso tomar chuva que tomo feliz, posso comer porcaria que como feliz, posso esperar o ônibus quase 1h, que fico quase feliz, posso falar do meu jeito e não ficar com vergonha de falar diferente, pois estou em casa, posso andar pela Paulista e ser a paulistana mais paulistana de todas, posso voltar para o Rio e me sentir saindo de casa de uma maneira inexplicável. Posso chegar no Rio e ser muito feliz por voltar para minha casinha com meu maridão. Mas nunca será São Paulo…

Ando bem em dúvida sobre o que serei quando crescer. Gosto muito de Design, mas de fato, não sou designer. Muitos têm ouvido esse discurso ultimamente, e muito obrigada por me ouvirem. Obrigada por tentarem me entender. Mas isso tem me consumido bastante. Como disse na minha bio, meu grande sonho era ser delegada criminal. Sei que nunca vou ser, por muitos fatores. Falam que eu deveria ser jornalista, mas acho que sou muito egoísta pra ser. Enfim… tenho mais esse ano na faculdade, está tranqüilo por lá, estou gostando deste trimestre, os professores são bons e as matérias estão mais interessantes. Estou fazendo a monitoria de Tipografia, e estou gostando e aprendendo muito, valeu Chico =)

No mais, obras em casa, perguntas na cabeça e tentando repondê-las aos poucos. Espero um dia conseguir respondê-las, porque elas ficam inquietas por lá.

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Terra adorada, Brasil

Postado por bruna em Aug 24, 2008 em cultura, orgulho

Pois é, as Olimpíadas acabaram, ganhamos poucas e suadas medalhas.

Adoro o espírito olímpico, claro à parte o lutador cubano ou o sumiço da vara da Fabiana, pelo esforço individual, pela garra, pelo objetivo a ser alcançado.

Fantástico. Se eu fosse esportista, acho que apostaria na natação. É meu esporte preferido, que me faz bem e que me faz querer melhorar.

Mas quero falar é sobre ser brasileira. Por que tenho orgulho de ser brasileira? Eu tenho muito orgulho de ser brasileira. Mas confesso que às vezes é desanimador. É aquela relação de irmão, eu posso falar mal, mas se alguém fala, viro bicho. Que nem a propaganda das Havaianas (vejam, vale muito a pena).

Tenho orgulho de ter nascido num país tão bonito, com pessoas misturadas, com pessoas tão dedicadas, com uma música tão bonita.

Não tenho orgulho dos nossos políticos, do tanto de impostos que pagamos para ir parar em contas na Suíça e termos que pagar os serviços que deveríamos ter gratuitamente por direito. Não tenho o menor orgulho disto.

Mas quando vejo nossa bandeira, quando ouço nosso hino, não tem jeito, tenho que segurar as lágrimas, porque apesar de tudo, tenho muito orgulho de ser brasileira.

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São Paulo, Rio, Rio, São Paulo

Postado por bruna em Jun 26, 2008 em Rio, Sampa, cultura

No fim de julho fará 3 anos que moro no Rio de Janeiro. Vim porque quis e não, não tinha nada que me fizesse vir pra cá. Por exemplo, nunca tinha vindo pra cá, não conhecia ninguém, não tinha emprego e não pensei em faculdade. Maluca mesmo.

Mas há um tempo estava pensando em escrever meus pareceres sobre “eixxxxta” terra =D

O pessoal do Rio é mais comunicativo, e sem muita cerimônia. Uma grande parcela da população já vai falando com você, como se concordasse com ela ou já a conhecesse há um bom tempo. Não me importei com isso, mas em Sampa é mais difícil isso acontecer.

Ponto de partida pra qualquer desempregado: Centro da cidade. Rua do Ouvidor. Não entendia porque sempre pingava quando estava na rua, até olhar pra cima e ver que 90% dos prédios têm muuuiiiiitos aparelhos de ar condicionado. Tipo, em Sum Paulo não tem nem metade do que se vê por aqui, o motivo é óbvio. Faz muito mais calor aqui que ali. Apesar de há uns 2 anos achar que em São Paulo também faz muito calor, também faz muito mais frio, e os tempos de calor são mais intensos, porque não temos o mar tão perto, então costuma fazer aquele calor muito abafado mesmo. Aqui no Rio não, é aquele calor de suar muito, mas se você estiver de short e camisetinha e tomar uma água de côco, passa super de boa, porque em todo lugar tem ar condicionado.

O metrô. Ok, o do Rio é maior e tem ar condicionado, mas pra mim o de São Paulo é mais rápido, mais limpo (apesar do Rio também ser) e mais charmoso. Não concordo com quem diz que em São Paulo a linha do metrô é enorme. Não, não é. O Rio é muito menor, por isso não tem tanta linha nem tanta opção. Em São Paulo, comparando, deve abranger uns 20% a mais que o do Rio, só.

A pizza daqui não chega nem no chulé da de São Paulo. Que saudade eu sinto disso. Pizza de escarola? Ham? O que é escarola? Até hoje não sei como falar isso aqui. Por um tempo achei que escarola era chicória, mas me informaram que não, que são parecidas mas não é a mesma coisa. Como assim? Escarola, tão básico em Sampa… E a pizza de calabresa então? Fique feliz se vier com 10 calabresinhas =/

Motoristas. Ou pilotos, como são chamados por aqui, hehehe. Só para terem idéia, demorei praticamente 1 ano pra me acostumar com o jeito de dirigir carioca. Pegar um ônibus é uma aventura, segure-se bem. Aqui os ônibus são da rede privada, então os “pilotos” têm que cumprir hora e chegar muito rápido de um lugar a outro da cidade. Em compensação, aqui tem muito mais linhas, que passam muito mais freqüentemente. Raramente precisei esperar mais de 10 minutos por um ônibus, sendo que em São Paulo é normal esperar 40 minutos. Melhor ir a pé, hehe!

Trânsito. Claro, São Paulo perde muito fácil. Se me estressei por causa de trânsito umas 3 vezes aqui no Rio em 3 anos, em São Paulo me estresso umas 3 por semana, ou mais.

Violência. Nem entro no mérito, as duas são muito perdedoras. Talvez a polícia de São Paulo seja mais eficiente e um pouquinho menos corrompida, mas também tenho minhas dúvidas. Uma amiga do Rio sempre me disse que caso eu fosse roubada e quisesse ajuda dos policiais, pra eu dizer a eles que foi roubado uma boa quantia em dinheiro, que aí eles vão atrás. Já vi assaltos em São Paulo e no Rio. Talvez a diferença seja que no Rio é muito mais fácil ouvir um tiroteio e estar bem mais exposto a isso do que em São Paulo, que é mais na periferia.

Acho o Rio tão caro quanto São Paulo, acho mito quem diz que São Paulo é bem mais caro. Morei de Copacabana a Tijuca, e vejo que os preços são bem parecidos. Mas o salário eu acho mais baixo. Tá certo que trabalhei pouco tempo em São Paulo, mas sem nenhum estudo (superior) ganhava mais que meu segundo emprego já na faculdade, que não era estágio.

Aqui é facinho de você ver um artista, e como boa paulistana, sempre que dá e vejo que não vou atrapalhar tanto, peço pra tirar fotos. =D

Também no Rio é muito mais fácil você conhecer alguém que conhece outro alguém que é justamente um conhecido seu. O Rio é uma azeitona, e sem caroço, ainda mais nesse mundinho web.

Ainda gosto mais da Folha que do Globo, mas passei a gostar mais do oglobo.com.br que do UOL. Passei a tomar muito mais mate, é facinho encontrar aqui, e barato. Passei a andar de Havaianas na rua, u-hu! Ninguém me encara aqui quando tou de short e camiseta, em qualquer lugar da cidade. Em São Paulo rola sim um certo preconceito quando não se está bem vestido.

Sinto falta das trufas de São Paulo, que são baratas e deliciosas, além do Black Dog e da Paulista. Passei a gostar mais da natureza, a ser menos estressada. Gosto muito das duas cidades, mas até hoje não consigo me sentir em casa aqui. Cada vez que vou pra São Paulo é como se tivesse voltanto pra casa, e dá um aperto no peito ter que voltar, apesar do Rio ter me recebido de braços abertos e me conquistado fácil.

É isso! Contem também o que acham dessas duas cidades mágicas ;)

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100 anos da imigração japonesa

Postado por bruna em Jun 18, 2008 em cultura, história

Saiu hoje, 18 de junho de 2008, uma reportagem no caderno da Folha especial sobre a Imigração. Em uma parte saiu uma foto grande dos avós do Kiko, maridão da que vos fala. Inclusive o Kiko parece muito esse avô, tem fotos que seria difícil saber quem é quem se não fossem as fotos preto e branco.

Parabéns aos nipônicos desse brasil, que contribuem para um país melhor e que deixaram de lado suas terras para se aventurarem por aqui e por aqui ficaram!

Tenho muito orgulho de ser casada com um descendente de japoneses!

Segue matéria:

Casamento pioneiro uniu carioca e japonês “Manoel”
TEREZA YOSHINAGA NOVAES
DA REPORTAGEM LOCAL

Takeo Iwabuchi chegou à praça Mauá, na zona portuária do Rio, em 1912, aos 22 anos. Deixou a família em Aomori, norte do Japão, e veio para o Brasil depois de receber uma carta de um amigo imigrante.
Seus bens se resumiam a peças de seda e parte de uma herança.
Iwabuchi se instalou com outros conterrâneos em uma pensão. Da sua janela, o recém-chegado observava o movimento da rua e uma moça, que trabalhava como vendedora em uma loja em frente, lhe chamou a atenção. Era Jurema de Araújo, carioca filha de portugueses.
Pouco tempo depois, Iwabuchi se mudou para a pensão da família Araújo, em São Cristovão, e começou a namorar Jurema. Em três anos, decidiram se casar. A notícia do noivado se espalhou pelo bairro e os vizinhos perguntavam aos pais da noiva como eles permitiriam que a filha se casasse com um japonês, afinal ninguém sabia “que gente era essa”.
A união não abalou os Araújo, a matriarca já era chamada de mãe por Takeo. E ele foi rebatizado Manoel pela família.
Depois do casamento, em 1918, o casal se mudou para São Paulo, onde causava estranheza na comunidade nipônica.
“Ele não foi o primeiro a se casar com uma brasileira. Sei de outro casamento em 1912, no Rio, mas em SP foram os primeiros”, diz Paulo Iabutti, 85, um dos sete filhos do casal.
Em fotos de eventos da comunidade, Jurema aparece como a única “gaijin”. Ela se adaptou à cultura, aprendeu os pratos prediletos do marido e fez com que o bacalhau entrasse na lista de seus favoritos.

[Folha de São Paulo, 18/06/2008]

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